Lá se passou mais um dia de eleições gerais. Li agora há pouco um excelente texto de Ivan Lessa pela BBC - bonito e pontual, apesar do prolixismo senil "jornalístico-pré-internet"; do tempo em que construir montanhas-lego de intertextualidade era sinal de refinamento linguístico.
Tá, e os resultados?
Bem, independentemente das "lições das urnas", conforme criticava o Lessa, o principal resultado pode ser visto na rua da minha casa. Uma montanha de papéis jogados fora, impressos em multicores, alguns de melhor qualidade ou maior gramatura - árvores mortas, esgotos entupidos, enchentes.
E aí vem nossa lição eleitoral do dia. O que fazer agora, a gente que tem vergonha na cara, com uma "frente-de-casa" tão suja e desagradável? Bem, pergunte a uma vassoura qualquer - sua própria finalidade responde sem hesitação.
A moral da história é exatamente essa, que nossos presidentes também precisam aprender. Passou o tumulto? Ótimo. A turba se vai, deixa a sujeira e a gente decente, que não a quer, pega a ferramenta e a tira dali. Limpar a sujeira alheia? Claro! Uma vez que a falta de educação e o senso de propósito coletivos deixam a caca na porta de sua casa ou em lugares públicos, a sujeira não é mais alheia. Ela é sua também.
Portanto, gente com miolos que captou esse interferência, procurem uma vassoura e mãos à obra. É a melhor maneira de refletirmos sobre atitude política em si, zelarmos pelo meio ambiente (inclusive o urbano, não só as baleias azuis) e descobrirmos quando algum setor público ou que nós contratamos está sendo... digamos... desnecessário.
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