quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Twitter vs. Celular


(Só pra constar: isso foi escrito numa terça, ficou no meu desktop uma cara e dias depois voltei pra postar ou jogar no lixo - escolhi a primeira opção, que valia lá pelas duas).

Era um dia de fúria, como toda terça que se preza, e aconteceu o inesperado.

Foi só olhar a página inicial e me perguntei: afinal, para que tenho essas coisas, essas redes sociais? Para que elas servem? Digamos que eu tenha adolescido quando as coisas da moda eram discutidas em grupos ao vivo, nas comunidades locais, nos clubes de tradição folclórica e chutando latinhas no intervalo da escola.

Na mesma hora, pensei em deletar minha twitter account pela segunda vez na vida, quando pensei na real utilidade da coisa. Ora, se meu orkut ainda está vivo porque serve de museu para as amizades que tive no passado - acreditem, hoje não sou capaz de fazer a metade delas no dobro do tempo - então o twitter também serve lá para alguma coisa. No caso, mandar perguntas pertinentes, em mensagens fechadas, para algum contato que ainda funciona.

Lembro de quando meu telefone funcionava com regularidade e eu o utilizava para fazer todas essas coisas: falar do tempo, reclamar da vida, dizer que estava trabalhando muito naquele dia, contar novidades e fazer perguntas pertinentes quando era o caso. Quer dizer, este último: buscar a informação diretamente com quem a tivesse.

Foi a conclusão: uso menos telefone porque tuíto. E tuíto bastante porque não me dou ao trabalho de investir em uma linha decente, com pacote ilimitado de horas e mensagens, para eu falar a droga que quiser. Além do mais, o tuiteiro do outro lado pode estar dormindo, comendo, fazendo amor, e não vai se incomodar com o meu inconveniente tuitonema.

Bem, se o twitter veio ao mundo para se dar bem tanto no PC quanto nos smartphones, acho que saiu melhor que a encomenda.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Fora da Casinha


Na primeira vez que ouvi essa expressão me senti um bicho de outro planeta.

Alguém comentou, num amontoado e vendedores e pessoas "super-hiper-mega(wtf?)-blaster(wtf-2?)-motivadas" e cheias de sucesso e eficácia: "O João hoje está fora da casinha". Fiquei olhando aquela criatura patética, movida a comissões e com a língua mais ágil que os neurônios, pensando desconcertado.

Mas que diacho... ela queria que eu estivesse em uma casinha? E no lado de dentro?

Demorei um tempo pra entender a expressão. Até agora não acredito que é verdade. Se o sujeito está variando, comprometendo a frágil e verbal estrutura social de um clubinho... ele está "fora da casinha". Quer dizer, está extrapolando seu pequeno universo e perturbando a paz (???) alheia.

Meu... sou claustrofóbico.
Se eu tivesse que ficar preso em uma casinha, com certeza ficaria louco.
Como dizem os fãs de Arquivo X, "a verdade está lá fora".

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Atitude Política

Curitiba, 04 de Outubro de 2010.


Lá se passou mais um dia de eleições gerais. Li agora há pouco um excelente texto de Ivan Lessa pela BBC - bonito e pontual, apesar do prolixismo senil "jornalístico-pré-internet"; do tempo em que construir montanhas-lego de intertextualidade era sinal de refinamento linguístico.

Tá, e os resultados?

Bem, independentemente das "lições das urnas", conforme criticava o Lessa, o principal resultado pode ser visto na rua da minha casa. Uma montanha de papéis jogados fora, impressos em multicores, alguns de melhor qualidade ou maior gramatura - árvores mortas, esgotos entupidos, enchentes.

E aí vem nossa lição eleitoral do dia. O que fazer agora, a gente que tem vergonha na cara, com uma "frente-de-casa" tão suja e desagradável? Bem, pergunte a uma vassoura qualquer - sua própria finalidade responde sem hesitação.

A moral da história é exatamente essa, que nossos presidentes também precisam aprender. Passou o tumulto? Ótimo. A turba se vai, deixa a sujeira e a gente decente, que não a quer, pega a ferramenta e a tira dali. Limpar a sujeira alheia? Claro! Uma vez que a falta de educação e o senso de propósito coletivos deixam a caca na porta de sua casa ou em lugares públicos, a sujeira não é mais alheia. Ela é sua também.

Portanto, gente com miolos que captou esse interferência, procurem uma vassoura e mãos à obra. É a melhor maneira de refletirmos sobre atitude política em si, zelarmos pelo meio ambiente (inclusive o urbano, não só as baleias azuis) e descobrirmos quando algum setor público ou que nós contratamos está sendo... digamos... desnecessário.